


EB1 Chafariz d' El Rei
Professora Fátima
Eles não sabem, nem sonham, que o sonho comanda a vida, que sempre que um homem sonha o mundo pula e avança como bola colorida entre as mãos de uma criança.
O FATO NOVO DO REI
Há muitos anos vivia um rei que passava o tempo a estrear trajes e fatos, e assim gastava a fortuna do país a comprar os mais caros tecidos.
O rei não queria saber dos assuntos do governo e a única coisa que fazia era passear pelo parque, ir ao teatro, passar em revista as tropas… sempre para exibir os seus trajes novos!
Mudava de casaca a qualquer hora e, quando alguém perguntava por ele, recebia sempre a mesma resposta:
O nosso imperador… está no provador!
A capital do reino era um lugar sereno, visitado por muitos forasteiros.
Um dia chegaram à cidade dois malandros, fazendo-se passar por alfaiates de moda. Diziam que sabiam tecer o tecido mais delicado do mundo e que podiam fazer com ele um fato que tinha uma propriedade mágica: ser invisível para todos aqueles que fossem todos, incompetentes ou ladrões!
– Será um traje admirável! – pensou o rei. – Se o vestisse, descobriria os indignos de ocuparem os seus cargos, os que tentam passar por esperto, e até algum que ande a roubar as arcas do rei.
Então disse o monarca:
- Quero que façam, imediatamente, um traje com esse tecido maravilhoso.
O rei mandou pagar muito dinheiro aos alfaiates para eles comprarem a seda e o ouro necessários. Também ordenou que lhes emprestassem uma fábrica para instalarem os teares e começarem a trabalhar.
Os malandros fingiam que mediam, que cortava e que cosiam até altas horas da noite… e depois guardavam nos bolsos todo o ouro e toda a seda!
Um dia, o rei, impaciente por vestir o traje, mandou inspeccionar o trabalho dos alfaiates.
Quando o primeiro-ministro chegou ao é dos teares, abriu os olhos o mais que pôde, mas não foi capaz de ver nada porque nada havia para ver. Os alfaiates fingiam que mediam, que cortavam, que cosiam e perguntaram-lhe:
- Não acha maravilhosas, senhor ministro, estas cores, estas formas, estas texturas?
O ministro não queria passar por incompetente, todo ou ladrão, e respondeu com voz trémula:
- Parecem-me preciosas! Irei imediatamente junto do rei para lhe dar conta de tanta formosura.
Os alfaiates aproveitaram a ocasião e pediam mais dinheiro para comprarem mais ouro e mais seda. O rei ficou contente ao escutar o seu chanceler…
Vários dias depois o monarca mandou um conselheiro ver se a tela já estava tecida.
Quando chegou aos teares, o conselheiro abriu os olhos o mais que pôde, mas não foi capaz de ver nada porque nada havia para ver.
Os alfaiates fingiam que mediam, que cortavam e que cosiam, e perguntaram-lhe:
- Não acha maravilhosas, senhor conselheiro, estas cores, estas formas, estas texturas?
O conselheiro não queria passar por incompetente, todo ou ladrão, e responde de imediato:
Estou emocionado! Irei imediatamente junto do rei para lhe dar conta de tal formosura.
Na cidade não se falava de outra coisa E todos esperavam o dia em que o rei estreasse o fato para ver quem era incompetente, todo ou ladrão.
Por fim, os malandros avisaram o monarca de que o traje estava quase rematado.
O rei mandou preparar um desfile para toda a cidade, e marchou para a fábrica com o seu séquito. Quando entrou na sala onde os alfaiates fingiam que mediam, que cortava, e que cosiam, ouviu os seus criados:
- Que maravilha! Que formosura! Nunca se viu coisa igual!
Quando estava diante dos teares, abriu os olhos quanto pôde, mas o rei não foi capaz de ver nada, porque nada havia para ver.
E os alfaiates disseram:
- Não lhe parecem maravilhosas, Majestade, estas cores, estas formas, estas texturas?
O rei, que não queria passar por incompetente, tolo ou ladrão, respondeu-lhes orgulhoso:
- Magnífico! Excelente! Sereis recompensados com o título de Tecelões da Corte Real. Vesti-me e vinde desfilar pela cidade.
Os alfaiates fingiram que davam os últimos pespontos às vestimentas e exclamaram:
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Xosé Ballesteros
Adaptação a partir do texto de Hans Christian Andersen
Kalandraka
EB1 Chafariz d'El rei
Professora Fátima
A placa que o João trouxe
EB1 Chafariz d'El Rei - 1º ano
Professora Fátima
A LESMA CONSTIPADA
A humidade era um contratempo! Constipava sempre a lesma e, sempre constipada, a lesma espirrava a toda a hora!
Inúteis os casacos, as luvas e as meias de lã grossa! A lesma constipava-se! Uma maçada!
Nos saraus da Primavera, quando a fina-flor da horta e dos canteiros se reunia, a lesma achava um horror aparecer toda protegia por gorro, galochas, casacos e mantas, samarras e luvas.
Era claro que usava as mais distintas fazendas e os mais discretos padrões! Era evidente que os lenços tinham monograma! Era lógico que os gorros e os chapéus tinham o «toque» do Príncipe de Gales!... Mas era um pavor!
No meio dos bailes, no centro da orquestra, dentro das conversas, a lesma espirrava!
Junto dos decotes, perto das lapelas, ao pé dos laços, a lesma espirrava! No fundo da horta, através das folhas, no centro da alface, a lesma espirrava! Espirrava sempre e de tal maneira que desarranjava tudo à sua volta!
Necessário era pôr um fim àquilo!
Fez consultas várias, visitou os sábios, tentou os xaropes, ervas, infusões, sumos, chás, tisanas, beberragens várias, termas e termómetros, banhos de imersão, ar condicionado, dietas, biscoitos, pedaços de sol e muitas mais coisas que nunca uma lesma pensou experimentar…
Nada resultou! Espirrava sempre e de tal maneira que desarrumava tudo ao seu redor!
Decidiu então comprar um abrigo. Talvez protegia daquela humidade tudo terminasse.
Vestiu os casacos, calçou as galochas, colocou o gorro, enfiou as luvas, traçou os cachecóis (nos bolsos os lenços, nos olhos os óculos por causa do sol) e dirigiu-se ao jardim japonês a uma velocidade pouco própria para lesmas constipadas. No jardim japonês encontraria uma solução! Naquele jardim, perto de um bonsai com centenas de anos, próximo do lago coberto de lótus, vivia o caracol mestre do atrelado.
– Porque vens tu, flor mais fresca do que a alface, pela manhã? – perguntou o velho caracol à lesma. Vivia há tento tempo no jardim japonês que pensava ser já oriental.
– Não me canses! – resmungou a lesma, e espirrou, desmanchando assim a pose do amigo.
– Vejo preocupação no teu caminho – recompôs-se com calma o caracol. – A preocupação é uma nuvem que esconde a felicidade. Faz como o vento e afasta de ti as nuvens que trazem a chuva!
– Não me maces! – irritou-se a lesma. – E, sobretudo, não me constipes ainda mais com o que dizes!
– És então capas de te despachas a dizer o que vens cá fazer?! Não penses que a minha famosa paciência oriental aguenta gente mal– humorada. Sou um mestre japonês, mas não sou um caracol idiota, sua parva constipada! – berrou, já furioso, o caracol.
– Venho comprar um atrelado. Apesar de passares os dias inteiros a tentar levitar, vendes ainda atrelados às criaturas menos espirituais, penso eu…
– Tenho os melhores atrelados da história! Deixa-me só tentar sair desta pose japonesa e mostro-te já toda a minha colecção! – e o caracol apressou-se a descer da pedrinha onde costumava meditar. – A minha amiga deseja um de dois andares? Temos também os franceses, a que chamamos roulotte. Finíssimos!
– Não me aborreças! Só não quero um atrelado igual ao teu. Tem todo o aspecto de ser barato e não me parece nada complicado!
– Então a menina não deseja um atrelado igual ao meu seja, barato e simplório?! – o caracol pareceu sentir-se insultado.
– Também não quero que seja parolo – espirrou a lesma. – Se tenho de comprar um abrigo, quero que seja o mais moderno e perfeito que exista. Nada, portanto, que se pareça com o teu!
– Nunca verás um atrelado meu! Nem que tenha de comer rebentos de soja toda a minha vida! – declarou o caracol muito ofendido, recuperando, porém, lentamente, a sua pose oriental. – Fica sabendo que aquele que deseja o universo inteiro…
… perde as estrelas que a noite lhe traz…
– … e tu acabas de perder uma cliente! – interrompeu a lesma. – Não penses que não sei que o caranguejo e a tartaruga também vendem atrelados, e moderníssimos.
Claro que a lesma sabia que também o caranguejo e a tartaruga vendiam atrelados! Toda a gente sabia que aqueles dois também os vendiam!
Mas o caranguejo vivia .............................................................